sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Dupla Face


Dupla Face 

no espelho da raridade
cheirei As Flores do Mal
pensando ser bem-me-quer
um dia sou Paulo Leminski
no outro: Charles Baudelaire


Federico Baudelaire






Noturno

Lá fora o luar continua
E o trem divide o Brasil
Como um meridiano

Oswald de Andrade





desde que nasci sou rainha
no meu corpo me espelho
em tudo que ele reflete
não preciso de coroa
não preciso de confete
meu corpo exala perfume
quando provoca ciúme
quando estou pintando o sete

Gigi Mocidade







diante do Espelho fico zen
chamo zeca baleiro de meu bem
canto a mama canto o papa
canto o negão do rappa
canto até quem não conheço
e não preciso de endereço
pra mandar cartão postal
canto a mina da esquina
que se chama Lys Cabral

Federika Lispector

Nenhum comentário:

Postar um comentário