quinta-feira, 19 de março de 2015

pedreira paulo leminski

 
Pedreira Paulo Leminski
para Flávia D´Angelo

todos os dias Flávia dos Dângelos
me sento nesta pedreira
e fico ouvindo Leminski
desde o tempo dos vivos
longe o tempo dos mortos
quando lia seus poemas pra mim
e ficávamos ali sentados
por longos brancos e pretos
por longas garrafas de vodka
e algumas polacas sem fim
Curitiba do outro lado 
por trás da Ópera do Arame
é uma Ópera infame 
nunca lhe deu a mínima
como se não passasse do nada
até que o gênio polaco
com o seu charme insano
no belo La Vie en Close
desafiou os curitibanos
no calcanhar da medula:
“Conheço esta cidade 
como a palma da minha pica.
Sei onde o palácio 
sei onde a fonte fica,
Só não sei da saudade 
a fina flor que fabrica.
Ser, eu sei. Quem sabe, 
esta cidade me significa.”
conheceu todos os becos
com putas travecas e bêbados
viveu sedento de línguas
morreu faminto de estrelas
e só depois que se foi
para o outro lado da ponte
é que lhe deram o nome da pedreira

Federico Baudelaire
imagem: It's All True - Orson Welles




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