quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dividido entre princípios e estratégias, PT vive dilema de liderar governo de coalizão

Por: Virginia Toledo, de São Paulo, e Anselmo Massad, de Brasília na RedeBrasilAtual

Dividido entre princípios e estratégias, PT vive dilema de liderar governo de coalizão
Paulo Teixeira criticou o relatório de Aldo Rebelo, mas como líder do partido na Casa seguiu indicação do governo (Foto: Beto Oliveira/ Agência Câmara)

São Paulo – Avessos à ideia de que a votação do novo Código Florestal a tenha "rachado", os deputados do PT foram postos, no mínimo, numa saia justa. A bancada petista, em tese carro-chefe do governo no Congresso, ficou entre a cruz dos princípios e a espada da estratégia. Em outras palavras: entre o ônus de contrariar a militância e votar a favor do relatório de Aldo Rebelo; ou de contrariar a orientação do governo e dizer não ao relatório.

Ambos os lados têm explicações para a divisão. Alguns deputados lembraram que há 15 dias adiou-se a votação justamente para se evitar o carimbo de "racha" na base governista. Portanto, seria coerente ao partido hegemônico da coalizão, já que a votação seria inevitável agora.

Ao discursar no plenário, o deputado Paulo Teixeira (SP) expôs críticas ao relatório de Rebelo, mas como líder do partido na Casa, seguiu a indicação do governo. "O PT avaliou que texto tinha melhorado em relação a versão anterior, por isso o voto a favor. Votamos contra a emenda da motosserra, a 164, defendida por ruralistas, mas fomos derrotados". Teixeira é um dos que defendem que os senadores modifiquem a emenda. E caso isso não ocorra, pede o veto presidencial.

Em contrapartida, os que decidiram pela votação por posições ideológicas, já que entenderam que o governo teria liberado os deputados a decidir seus votos.

"Não me sentia à vontade para votar a favor, porque (o relatório) é um desmantelamento do Código Florestal. O governo liberou, sim, o voto da bancada. Na reunião, havia a posição de votar sim no texto principal e contra a emenda 164, além de apresentar destaques na emenda 186. Durante a sessão, eu não diria informalmente, mas foi dito, entre os deputados, de boca em boca, que havia a liberação por parte do governo", disse o deputado Sibá Machado (AC) à Rede Brasil Atual.

Com 35 dos 81 petistas votando "não", instalou-se o desconforto entre os demais, que seguiram a orientação de votar a favor – e ficaram expostos às críticas das "bases", de que essa posição estratégica podia representar uma traição a princípios.

Para o analista político Marcos Verlaine da Silva Pinto, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a decisão dos petistas que votaram contra não é evidência de racha, pois não teria havido fechamento de questão. "O fato de estar votando matéria tão complexa e controversa inevitavelmente ocasionaria divisão de posições", observa.

Articulação e PMDB


A votação do novo Código Florestal pode ser vista como o estopim para que se fortaleça a articulação política do governo, já que provou-se que a unidade não foi atingida nem mesmo dentro do principal partido – após cinco meses de governo Dilma. O fato de o PMDB ser um partido fisiológico, ou seja, contar com muitos parlamentares que defenderão interesses dos numerosos setores que representam, e não necessariamente um programa partidário ou de governo, exige uma articulação política mais ativa.

"O PMDB  é o partido menos contraditório porque é sabido que lá tem muito ruralista. Então é um interesse mais de setor do que propriamente de partido. Isso mostra que o governo tem problemas na sua base, e que a cada votação terá de construir uma maioria, ainda mais em matérias polêmicas, como pode acontecer no debate da reforma política", avalia.

Marcos Verlaine, do Diap, analisa também que o ministro Luiz Sérgio, encarregado da articulação política, não anda fazendo o dever de casa. "Ficou mais evidente após o resultado da votação do Código Florestal que a articulação política do governo está sendo feita de forma errática, precisa de ajuste", pontua.

Deputados ouvidos pela reportagem da Rede Brasil Atual sinalizaram que o ministro até receba demandas dos parlamentares, mas ninguém sabe se as encaminha ou não para o Executivo.

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