quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Marginália II

no presídio federal de brazilírica as artes cínicas espalham-se pelo pátio infestam os corredores e macabea é quem ordena a autoria do poema a encenação que lhe convém estranho tudo estranho neste país do futuro e o presente que não vem quantas bocas tantas bocas a miséria ainda tanta e favelas ainda quantas as milícias que em vindo mesmo assim ouço sorrindo como um primeiro de abril a marginália do gil também do torquato neto nalguma noite barroca na voz de maria bethânia

marginália – Gilberto Gil & Torquato Neto na voz de Bethânia


Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo
Minha aflição
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui, o Terceiro Mundo
Pede a bênção e vai dormir
Entre cascatas, palmeiras
Araçás e bananeiras
Ao canto da juriti
Aqui, meu pânico e glória
Aqui, meu laço e cadeia
Conheço bem minha história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte
Olelê, lalá
A bomba explode lá fora
E agora, o que vou temer?
Oh, yes, nós temos banana
Até pra dar e vender
Olelê, lalá
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo

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