segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

trocando em miúdos




não existe ordem cronológica mas confesso que vivi e não devolvi o neruda que federika me emprestou mas fiquei com o disco de pixinguinha sim era 75 e no lance de dados deu 5 no presídio federal de brazilírica pereira acabara de ler o livro deus não joga dados de luiz sérgio azevedo santos e pela primeira vez percebi que mallarmé passou por aqui

luiz sérgio azevedo estudante de medicina nos campos dos goytacazes andava tendo visões com luzes na estrada da santa cruz além de objetos voadores identicidados que fazia com que ele andarilhasse madrugadas fundas atrás dos óvnis federika a enfermeira da santa casa de misericórdia nunca soube explicar o óbvio ele era poeta

era 77 e n lance de dados deu 7 iansã baixou na terça no terreiro do jockey e deu o seu recado rosinha ainda vai puxar um boi-pintadinho da pracinha do liceu a feira do mercado municipal e bolinha não vai ter vida longa como narrador esportivo na rádio nacional n rio de janeiro e em 80 lá estava ela rosinha puxando o boi pintadinho e bolinha voltando ao microfones campistas devido a confusão que gerou os eu novo apelido garotinho devido a fato de na RN já existir um outro

pelos idos dos 70 ainda quase no final chega aos campos o guirrilheiro senegalês thierno gay filho adotivo no brasil de cândido mendes coube a alberto freitas seu amigo de faculdade apresentá-lo a nós da mocidade independente de padre olivácio e a partir daí formávamos um quarteto todas as sextas no bar da ana em goytacazes eu alberto trierno e lenilson chaves quarteto exte que mais tarde viraria sexteto com a presença entre nós de jorge santiago e tetê peixoto

o bar da ana foi se tornando aos poucos na concentração oficial da mocidade até que em 89 ela invadisse a praia do farol de são thomé cumprindo ordens oficiais para pintar o 7 aos domingos na orla marítima com os despudorados nus artísticos para escandalizar o povo da baixada da égua que até então eram os únicos frequentadores da praia campista


Trocando em Miúdos

Composição: Chico Buarque & Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.

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