sábado, 18 de setembro de 2010

boca do inferno



uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
um computador
nem que seja pós/moderno
vamos fazer um filme

vamos criar um fiilho
deixa eu amar a lídia
que a medíocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

por mais que te amar seja uma zorra
eu te confesso amor pagão
não tem de ter perdão prá nós
eu quero mais é teu pudor de dama
despetalando em meus lençóis

e se tiver que me matar que seja
e se eu tiver que te matar que morra

em cada beijo que te der amando
só vale o gozo quando for eterno
infernizando os céus
e santificando a boca do inferno

o que é que mora em tua boca bia
um deus um anjo ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e uma estrela como guia?

o que é que arde em tua boca bia
azeite sal pimenta e alho
carne krua do kralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que é que pulsa em tua boca bia?

mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rio de águas sujas
onde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta/delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca boca bia?

Artur Gomes
http://blogdabocadoinferno.blogspot.com

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