segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Gomes&Gumes

todo poema tem dois gomes

toda faca tem dois gumes
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes

se um corta com palavras
a outra com corte mesmo
se um é produto da fala
a outra do ódio a esmo

todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
e um amor cego nas asas
brilhante de vagalumes

se em um a linguagem é sacana
na outra o corte é estrume
todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes

se em um peixe é palavra
na outra o brilho é cardume
é fio estrela na lavra
mal cheiro vício costume
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes

se em um a coisa é sagrada
ofício provindo das vísceras
na outra a fé é lacrada
hóstia servida nas missas

se em um é cebola cortada
aroma palavra carniça
na outra o ferro, é tempero
fé cega - fome amolada
– poema é só desespero

LeminskiArte da palavra em cena

Artur Gomes e Mayara Pasquetti
De 5 a 10 outubro 2009
Congresso Brasileiro de Poesia
Bento Gonçalves - RS


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