sexta-feira, 5 de junho de 2009










a ostra e o vento
p/Branca Lima

fosse marcela uma ilha
deserta atlântica
maravilha
iria eu lá naufragar
fosse só algas e peixes
pérola ostra
armadilha
cabelos fossem vento
seus olhos fossem mar


o vento deflorou marcela
a ostra devorou o vento
a pérola não está na ostra
marcela evaporou no tempo

Alice In Chamas

alice não mora mais
no país das maravilhas
agora conhece a trilha
que vai dar no cosme velho
no alto de santa teresa
tua língua é portuguesa
mas teus olhos são de gato
felino sobre os telhados
no funk das laranjeiras
contando os mortos – parentes
olhando o cristo de frente
no morro do pão de açúcar
que de doce não tem mais nada


Meta Linguagem

minha língua é minha arma
com ela roço no vento
e invento a palavra fala
falo pira pirão piracicaba
viajo a estrada das letras
falo pindamonhangaba
fulinaíma é bala que você não chupa
fala que você não fala
no seio minha língua mátria
sem pai nem mãe nem pátria
quando meto a língua na boca
preparo alguma armadilha
clarice não viu joão pessoa
pernambuco paraíba santarém
a língua pode ser armadilha
e armadilha é minha fala também


Amores Republicanos

o empresário amava
o nosso erário
que amava o proletário
que amava o operário
que amava o empresário
que não amava ninguém
longas atas nas assembléias
às sombras do planalto

o secretário escreve
o tesoureiro assina
o fantasma dá as ordens
o presidente dorme
os senadores dormem
os deputados dormem
os banqueiros rapam tudo

e ainda escrevem o enredo

- e nós que somos decentes
nós quesomos babacas
quantos bilhões escaparam
na vala comum dos nossos dedos?


Viagem Tropical

Ah! Meu amor
que maravilha!
apesar dessa quadrliha
tudo aqui
vai muito bem
tudo aqui
nada vai mal
isso aqui
ainda é Brasílha

e campos dos goytacazes
já virou um Pantanal?


Evo é da Bolívia

evo não é eva meu bem
que se contentou
com uma costela de adão
evo é de outra tribo
nada a ver com seu irmão
ele diz que a coca é dele
e o que o subsolo também
evo não é jesus
nunca viu jerusalém


Pecador: me INconfesso

antes que alguma coisa me diga
explodindo teu ódio e rancor
faço amor com tua filha
ou seja lá o que for
não quero saber o que pensas
me importa mais o que faço

tracei di/versos caminhos
nas trilhas que eu mesmo traço
amores poemas já fiz
e neles as marcas impressas
neles o mesmo prazer:

das amantes vive o poeta
e nada mais me interessa
nada mais tenho a dizer


anjo torto

meninas para mim
serão sempre meninas
jóia rara coisa fina
cássia eller zélia duncan
marisa monte ana carolina
adriana calcanhoto

não sou mário sá carneiro
nem nasci em fevereiro
eu sou eu não sou o outro
não sou pilar da ponte de tédio
mas posso ser o intermédio
pra amenizar teu desconforto

não há fórmula nem remédio
eu sou mesmo o anjo torto


deusa dos lençóis de toda cama

eu sou Rainha da Noite
na Mangueira no Salgueiro
Mocidade e na Portela
eu já nasci Federika
nunca me fiz de donzela
já reinei na Imperatriz
nunca disfiz meu Império
Dama de todas as camas
Deusa imperial da orgia
eu já nasci para o samba
até morrer na Putaria

Federika DuBoi
das Entradas e Bandeiras


lua avessa

eu quero teu vestido
pelo lado avesso
senão eu atravesso a rua
de cabeça para baixo
e vejo tudo de baixo para cima
por entre as brechas
entre uma perna e outra
pode ser vestida ou nua
quero a tua lua no chão
e o meu chão na tua lua.


Salmo 5.784

Deus criou Adão
com um orelhão em cima da cabeça
depois imaginou que no Dilúvio
Adão morreria afogado

Aí Deus reinventou Adão
Com duas orelhas
Uma de cada lado


Salmo.5.783

É sempre como digo
A orelha deve estar sempre
Acima do umbigo
Eu que não sou
Artur Gomes
Nem tenho faca de dois gumes
Uso as unhas mesmo
Pra cortar os meus legumes

Federika Pirou!

onde já se viu com 90 anos
no samba ser destaque
só se for lá no Iraque
nosso novo Presidente
já traçou os novos planos
quer um choque de gestão
um carnaval inovador
veja bem meu grande amor
meu coração que é leviano
já se vestiu com novos panos
pra desfilar na Mocidade
e você também leviana
vê se enxerga e não se engana
vá pra Ala das Baianas
e fica em paz com a tua idade


meus poemas histéricos

não aceitam o não
eu obsessiva
finjo que não quero
eu tento ser sincera
mas eles continuam
fazendo mistério
tentamos de tudo
terapia em grupo
concretismo
monastério
eu não aguento

mas nem com reza braba
meus poemas me levam à sério

no samba
do milagre-alegria
lágrima é alegoria

Dentro de mim mora um monstro
um monstro que come pedra e arrasta correntes
um monstro que não dorme
que quando quer sair faz muito estrago
dizem que é parente daquele do lago
mas não tem ninguém que fale sua língua

basta uma palavra e pronto
já fica enfurecido o meu monstro
a um ponto que não tem quem demonstre
nunca vi uma raiva sem fundo
esse monstro
tem a fome do mundo


Eu sou das Minas

sou barroca do ouro preto
da pedra sabão do engenho
antônio bretas sabe tudo quanto tenho
porque me colhe nas mãos
e me alisa com os seus dedos
me dando formas de santos
me desfazendo os mistérios
ele sabe dos minérios
como o palhaço de rua
desta cidade mineira
e me emprenha por inteira
com os meus dentes pra lua
me faz mais puta e guerreira
quando me quer sendo tua

Gigi da Bateria
a Rainha da Escola de Samba
Mocidade Independente de Padre Olivácio


y love me

depois que fui traído
me entreguei á flor do lácio
igreja da salvação pela graça
nada de mocidade independente
de padre padre miquel e olivácio
ora veja não bebo vinho nem cerveja
somente daime algum chá de cogumelo
sou federico Baudelaire
das Flores do Mal e também
ddas flores do bem me quer
e nesses casos de bebida
quando se trata de mulher
não prego prego sem estopa
e pra me safar de mal olhado
uso meus óculos de colher
porque esta vida não está sopa

se é para matar a fome aline se é para matar a sede alice se é para cumer teu nome metáfora tropicana lambe a tropicAnalice com as letras que restar do sobrenome reInvento a tropicália vais me ter em sagarana mordo teus lábios de cigana e só tua boca me define em tudo mais quanto não disse

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