sexta-feira, 5 de junho de 2009



La Riva
Ma rina de la cuba
La vita El mar
Enquanto singra
La voz Por cantar
Enquanto sangra
El povo
Que fidel
De la da ilha
És filha
De la
Daquela angra







o estado pode ser de choque
ou quem sabe até de surto
o soco pode ser no estômago
a facada for ferir o fígado
o bandido me assaltar na via
o sangue explodir na veia
a vodka só me der asia
todo instante que vier eu curto
a palavra que pintar eu furto
tudo o que eu faço é poesia.

Sagarânica 3

não vejo hoje com os mesmos olhos de ontem. as lembranças que ficaram já se foram e o que não foi jamais será o mesmo. mesmo se eu quisesse agora. bestas humanas se calam diante do perigo e se escondem dentro dos palácios. já convivi com uma ali em são cristóvão na cavalaria quando fui soldado e rasguei bandeiras e depois com outras na terra prometida entre as bananeiras e aqui agora diante dessas outras que se dizem flores pelas laranjeiras

oxumaré
esta mulher tem um mistério
que me espanta
quando canta à beira-mar
quando ama à beira-rio

o teu amor
tem outro nome de mulher
grafitado em tuas coxas
tatuado no teu cio

atiro contra o tédio infame pedaços do meu corpo em prumo poemas refazendo em transe retalhos de um tecido em partes seguindo por segundo a trilha na etérea construção da arte


Flor Bela

fosse apenas uma menina
mesmo assim a rima
desce no mais íntimo
fundo do teu íntimo
muito pra lá de onde
a tua boca chora
onde a lágrima é brasa
e acende a chama quente
como um beijo líquido
no teu cio aceso
entre os teus seios entre
é onde falo no teu corpo agora

Indiscreta

outras imagens outras
se escrevesse ou me dissesse
e Clarisse ainda me disse
teu fogo inda me devora
arde queima consome
tua língua lambe meu nome
na bruma branca das horas

hoje em ti amanheci
Ana/Brasília
mesmo não sendo
mulher ou filha
bem-te-quis
meu bem-te-vi
ao levitar em tuas asas
mergulhei mares
que em teus olhos conheci



Flor de Lótus

Eva é quando chegas
e te apossas dos meus lábios
por inteiro
como se arte fosses
e teu corpo flor de lótus
nascendo aqui na minha cara
quando me vens
com tais palavras
e me vira pelo avesso
Eva que enfim foste o começo
quando a maçã em mim devora
fogo do amor não tem segredo
chama que queima a qualquer hora


Marina de La Riva

voz de onde me vens
Marina
mar de corais e sais
ilhas tropicais
em si em sóis
em lá
de onde me vem

esta mulher
em sons vocais
e sendo ainda de la riva
eu vi menina
com tua iris
feminina
em verdes campos cana vi Ais

grávida lesma
passeia lentamente
na calçada rente
a vida por um fio
o tempo
preso no teu ventre
como se de repente
mergulhasse fundo no Rio


nick tem um pick incandescente agita o que grita fora e dentro nela pode ser a porta ou a janela que importa? me conforta saber da eletro flower que mora dentro dela

se eu não beber teus olhos
não serei eu nem mais ninguém
quando roçar teus dentes
desço garganta mais além
quando tocar teu íntimo
onde o ser é mais intenso
jura secreta não penso
bebo em teus cios também

vôo rasante

desce
ao mais secreto
ao submerso
submundo
desse mundo
que o amor
é mais profundo
não cabe em superfície
só no fundo

Desde a última quinta que a emoção tem rolado solta por aqui, a começar com a encenação no Teatro Goldoni do espetáculo Folhas de Outono, uma concepção cênica do Miquéas Paz tendo como companheira de palco a atriz Lília Diniz, magnífico trabalho de corpo e imagens cênicas aliados a um excepcional iluminação e sonoplastia. Na sexta atuamos na Lira do Improviso com o Anand Rao em seu home studio com a canja luxuosa do Pedro Henrique na flauta, foram duas horas de bate-papo, musica, cerveja e poesia. No sábado delírio geral com o Carnaval Multicultural de Recife, com Frevo, Maracatu, Casa de Farinha culminando com um vibrante show do Alceu Valença com o gramado da Funarte invadido por uma garotada mandando o frevo no pé e na alma. Breve disponibilizo na rede alguns lances desses momentos vividos intensamente.

Sangração das Minas

quando penetrei teus Montes Claros
rocei os pêlos das montanhas brancas
flocos de neve entre as tuas coxas
onde a boca me engolindo falo/dedos
como se as Minas
no pátio não houvesse trancas
nem nos currais cancelas
como se o esperma
do meu corpo quente
fosse somente
o alimento delas
mastigado entre seus dentes
de jaguatirica
sangrado fui teu Ouro Preto
quando devorei tua Vila Rica


Teatro Mágico

fosse como se fosse
Érica eterna e doce
como uma fruta
nos lábios
manga cajá
ou mesmo fosse
apenas fotografia
luz estrelar
sendo dia
e eu na fonte bebesse
o teu olhar
de alegria

nina & louise

quando meus olhos te vêem
com àquelas meias listradas
e o vermelho nariz de palhaço
brinca em meu peito a infância
que nunca deixou de existir
guardada em algumas gavetas
das sete vértebras humanas
razão do ser que vivi



Ind/Gesta 3

nesta floresta densa
minha cabeça tensa
onde a palavra grita
o que a memória sangra
fala dispara e angra


o G8 uma bomba prestes
a explodir na nossa cara
enquanto a pomba gira
ossso e carne humana
eles despejam numa vala

onde é que o tempo muda
ouço a tua voz
aqui bem perto

dentro do ouvido
e não duvido
quanto mais o tempo muda
o tempo é que está certo

EntriDentes 2

paixão é fome fogo festa
quando a foto traz o nome
quando o nome o fogo empresta
o vermelho na parede
o carnaval em tuas unhas
acende a fogueira de lácio
e olivácio salto em transe
no trampolim da tua boca
rasgando a carne que transpunha
as tuas roupas de bruxa
entre pêlos e tecidos
no espaço dos mistérios
na lâmina entre os dentes
a palavra em tua língua
na saliva das serpentes
como o veneno
mais profundo
lambendo os olhos do teu corpo
sob os lençóis do meio dia
enquanto o que pesa
é quanto vale
onde com sangue
escreveria

: se não fosses Eva quem seria?

e pelas mãos do tempo levarei as tuas como cara/velas de um mar sem tempo ou eras quando a primavera ainda flor de lótus ou a flor do lácio quando abrir teus cios esta flor em pétala quando em teus cabelos pele flor e pêlos eu navegar teus rios te levarei por mares nunca dantes navegados lá onde o mistério do azul teus olhos por dentro lá onde o centro do universo mora e meu verso ficará plantado em todos os segundos sangrar na tua hora


Dani-se Morreale



Dani-se
Se ela me pisar nos calos
Me cumer o fígado
Me botar de quatro
Assim como cavalo
galopar meus pêlos
devorar as vértebras
Dani-se
Se ela me vier de unhas
Me lascar os dentes
Até sangrar meu sexo
Me enfiar a faca
Apunhalar meus olhos
Perfurar meus dedos
Dani-se
Se o amor for bruto
Até mesmo sádico
Neste instante lírico
Se comédia ou trágico
Quero estar no ato
E Dani-se o fato
Deste sangue quente
Em tua boca dos infernos
Deixa queimar os ossos
E explodir os nossos
Poemas
Pós modernos

Estrela de Fogo

Atiçais
tudo que em mim
ainda queima e arde
fogo como o sol da tarde
carne de maçã em desalinho
lua quando chega noite
por estes mormaços de março
entre os lençóis e o linho

um mar pula em nossa janela
estrela quando brilhante
acende meus olhos em brasa
e exalas por toda casa
até na matéria bruta
perfume de mulher ou de puta

açoite em papel pergaminho
faminto que sou como a fruta
e bebo em teus lábios de vinho

Adoro em ti, essa universalidade poética. é intuitiva, é dedutiva...é sempre louca e com nexo! Adoro essa viagem incansável por todos os lugares, pra fazer um verso! Poesia em tuas mãos é cachoeira constante...e mesmo sem tinta, e com a água da emoção, acaba virando letra, nos olhos da imaginação! Já disse que você é o meu poeta favorito? Além de Quintana, de Drumond...e outros tantos. Agora é Federico que descubro em mim! Beijo, meu amigo lindo!

Socorro Moreira

cardio.grafia

que esta palavra bendita
não seja dor
quando mal dita

como espinha quando aflora
ou espora
enquanto irrita

minha cardio.grafia
em suma
não é pena nem pluma
apenas palavra que resuma
o silêncio como agora
ou sonora quando grita

Bricando com Hellena

Aposto Que a respostaEncostaMuito alémDa mesa postaAlém

do que mais gostaE espelha frenteE costaEm tudo Que aposta


blake

Triste poema no caderno velho
Já nasceu pra alguém que é velho
Meu ego de molho
orgulho do medo
sentimento caolho
É óbvio que esse poema padece
Já nasceu pra alguém que não merece
Por não conseguir ser prosa
o podre se repete
Esse poema, coitado
nasceu pra ser esquecido
nasceu pra ser apagado
Esse poema sabe que ser feliz
não vale a pena
Não vale a vida pequena
que lhe cabe

Estrela Ruiz Leminski
http://leminiskata.blogspot.com/

como ser soul onde tudo jazz?

eu sou o peixe

deixa rolar o samba
deixa rolar o rock
deixa rolar o blues

ouvidos sem fronteiras
fulinímas sem limites
raiz em que tudo que cola

no meio de campo toco a bola
e quem quiser que acredite

olho de lince

onde engendro
a sagarana

invento
a sagaranagem

entre a vertigem
e a voragem

na palavra
de origem

entre a língua
e a miragem

a sacanagem do sistema


mordendo: o vírus da linguagem
no olho de lince do poema


Engenho

engenho na palavra
é Arte

Arte na palavra
engenho

tenho a vida
como Arte

Arte como a vida
tenho

Transe

Quando penso tua boca
Fico tenso
Calo e grito
E céus na língua
Repenso
Nos caldeirões do infinito


A Mãe das Artes/Manhas

me atiro do oitavo andar do edifício
vôo direto pro hospício
quando pensa que estou fora
é aí que estou dentro
no ofício do engenho
tu não sacas meu invento

Curto/circuito

quem disse que amor
é cego
mudo
surdo

não sabe o que samba/enredo
muito menos o que curto

nem sabe do que carrego
em meu estado de surto

Luz do Sol

fosse-me então matéria prima
sendo mulher mais que uma rima
artéria me atravessa a veia aorta
me transporta pro cinema
olhando a minha cara torta

e sendo nega não me nega
a luz na pele e sendo pele me revela
o quanto és ela e sendo ela
me aporta enquanto vela
quando ao mar de fogo me arremessa

pelas portas e janelas que atravessa

Met/Áfora

onde a lua se esconde
por de trás da mata
e as cahoeiras cantam
quando tocam pedras

quando enchem lata
é lá onde ela mora
com teus cabelos de ouro
e banha a pele e o couro
onde amanheçe Ágora

terra/mãe

agora que pairas sobre o tempo
quando o tempo ainda é tempo
ou quando invento no meu corpo
este teu tempo de existir
e reInvento o que ainda não existe
ou quando o tempo já se foi
sem sequer se existisse
ou se não visses tudo em ti
se já passou

agora mãe
é quando terra ainda me lembro
de algum tempo
na ferrugem que ficou
roendo os ossos dos meus dedos
não tenhas medo
de dizer que ainda é cedo
se alguma lágrima
sai do tempo que brotou



Daime

quando estou no santo daime
daime tudo o que quiser
porque tudo o que quiser me dar
eu quero
pode ser gavião
andorinha urubu
ou quero quero
pode ser também
coruja mal-me-quer
be-me-quer ou até um beija-flor
quando estou no santo daime
daime tudo quanto for

desde fevereiro de 1996 por indicação médium/espiritual frequento o santo daime para tentar acrescentar alguns mistérios na vida que anda tão careta e sem nenhum mstério. tudo muito previsível nos planos planalto na planície dentro e fora dos panos tudo é o mesmod e antes nem o bispo o padre o político o abrantes até mesmo que sempre quem nunca foi marido e sempre foi amante eu rogo ao daime de hoje e rego o daime de ontem o reggae eu como por mim e o chá eu bebo por flora. não sei ainda quantos chás eu já tomei mas isto também não me interessa contar as contas ou os contos de clarice de machado se macabéa nem cresceu problema dela se lady gumes agora manda no pedaço agora faz um tempo que não ouço bob dylan e nem voto tal a pobreza que se escuta quando perto as eleições minha vaca fez o parto na esquina do meu pasto e pt







3 comentários:

  1. Frederico... Ou qual seja o seu nome...

    Um blog que mais parece um triturador ligado a 1000 volts ou seria watts de potencia?! Não entendo disso, apenas quero usar algo que dê a exata dimensão do que senti aqui...rs

    Ves por outra isso acontece... A gente se vê no olho do furacão... Agora me sinto assim, depois de fazer uam viagem por aqui...rs


    Beijos avassaladores!


    PS: Tenho a ligeira impressão que vc é mil em um só... Estou enganada...rs

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  2. Avassaladora está no vestígio certo, tens faro para detetive. veha sempre. beijos

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