segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Oxum


Oxum

a minha mãe é uma leoa
ai de quem ameaçar um filho dela
ela vira um bicho uma fera
para defender a sua cria
a minha Oxum é de Xangô
e seu amor é nossa guia


Jura Secreta 55


Xangô é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços

Oxossi é carne da mata
Yansã é fogo vento tempestade
Iemanjá água do mar
Oxum é água doce

Oxalá em ti me trouxe
te canto com0 se fosse
um novo deus em liberdade



Jura Secreta 54

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo o que me pintar eu invento
como um beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da Mata Atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora dAlquimim fugaz Brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele sobre as tuas costas

os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata

em que despes de mim o ser humano
e do corpo rasgamos todo pano
e como um deus  pagão pensamos sexo

Artur Gomes
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

linguagem movimento


linguagem/movimento

anda pelo ar
uma palavra interrogação
o que será?
o caranguejo
o beijo
objeto do desejo
linguagem movimento
ou será o éter pelo vento
escorrendo em minhas mãos?
onda que não cessa
nuvem cerebral espessa
sob um céu de capricórnio
extensa teia que aranha
nunca cessa de tecer

Federico Baudelaire
foto: Artur Gomes




na vertigem do dia

uma nuvem tenebrosa
sob um céu de agosto
onda nebulosa
debruça no meu rosto
quando Yemanjá me espera
onde tudo é posto
o amor meu desespero
no corpo em desalinho
o mar do meu sossego
na uva do teu vinho

Federika Lspector




desejo confesso

tenho desejos no corpo
entrando no cu-tovelo
e toda noite de agosto
aumenta meu pesadelo
se Netuno ainda mora no mar
irá ouvir meu apelo
me leva pra outro mar
para eu dourar os meus pelos.

Gigi Mocidade


 

jura secreta 4

a menina dos meus lhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

Artur Gomes

isadora zechin - foto: Artur Gomes

ando perdendo o sono
com uma formiga
que me atravessa o corpo
nem sei de onde vem
nem para onde vai
mas me perfura a carne
os nervos os músculos
não é justo logo comigo
essa maldita aflição
esse pedaço de desassossego
dentro da vertigem
sem nenhuma explicação

Gigi Mocidade





Ode a Iansã

durante o amor o beijo é tempestade
o coito é mar de fogo o corpo é ventania


o punhal de vênus 
me penetra a boca
abaixo do umbigo

convido então o mar
o rio o vento
tudo em movimento
pra gozar comigo


depois do amor o corpo é maresia
o mar o rio o vento
cessa o movimento
no meu corpo em calmaria


Federika Lispector



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

fulinaima



fulinaíma

eu sou um caldeirão desenfreado

sou o ferro
a pedra
o barro

sou a barra
o berro
o sarro

no corpo dos desvalidos
no sangue dos deserdados

sou a voz de quem tem fome
nos músculos dos renegados

eu sou a febre dos justos
a oração dos imolados

eu sou a garra
a saga
a gana

a farra
na falta da grana
no olho da sagarana
na pele dos esfolados

Federico Baudelaire

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

golpe verde/amarelo


golpe verde/amarelo

quem dá mais?
esse governo brasileiro
golpista e imoral
está vendendo a PETROBRAS
as reservas do pré-sal
e o que restou das Minas

como se fosse serpentina
e  confete pro carnaval

Federika Lispector

domingo, 24 de julho de 2016

sob fios elétricos


sob fios elétricos
a vida por um fio



a eletricidade não falha
é um risco
nesta cidade de palha



revoada numa tarde cinza
enquanto da sacada
meu olho gótico TVia


projeto foto poesia
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Artur Gomes - poesia fotografia
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sexta-feira, 22 de julho de 2016

gothan city




Gothan City
qualquer coincidência não é mera semelhança

o que tens aqui. ela não tem a língua dentro da boca. ele não tem um olho embaixo da testa. caminha disfarçada  ao lado do palácio em direção a vala. a bala passa raspando os dentes dele. a vala engole carne e osso dela. o disfarce está exposto ao lado da vala para cobrir o esgoto que fede a céu aberto no museu das precariedades. quem caminha pelas calçada corre o risco de quebrar pés e pernas nas crateras que percorrem todas vielas e becos da cidade fantasma.


Artur Gomes

quarta-feira, 20 de julho de 2016

agro negócio


em nome da produção de alimentos
os assassinos do planeta
se travestem em salvadores da pátria



qualquer palavra eu invento
na carnadura dos ossos
na escriDura do éter
na concretude do vento
na engrenagem da sílaba
vocabulário onde posso
dar nome próprio ao veneno
que tem o Agro Negócio


Imbé

sendo a dor o que me resta
do pulmão desta floresta
só me cabe erguer o grito
com a gana dos aflitos
antes que a morte faça festa



sagaraNAgem
a engrenagem
cada vez mais funda
onde nervo/osso
se encontra lá no fundo
cada vez mais poço



Gargaú

quem tem sangue na veia
nem guaiamum nem caranguejo
mas também sente essa dor
na salivado desejo
em tua língua meu amor
e que a lama desse mangue
possa parir alguma flor


projeto foto poesia
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